por Rodrigo Seiji

produtos do ócio criativo

metamorfose ambulante

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A bitolação corre no caminho contrário à liberdade. Mas o que é ser bitolado?

Depois de escrever o primeiro post do blog muitos amigos vieram perguntar o porque e porque eu escolhi escrever sobre educação. Alguns perguntaram se eu tinha surtado ou o que tinha acontecido. Vou tentar explicar o porque.

Sempre tive várias áreas de interesse, as quais estudei com o maior afinco que pude quando tinha tal foco. As que dediquei mais tempo até hoje foram arte (principalmente música), matemática, tecnologia, poker e ciências sociais (economia e mais recentemente sociologia). Tenho vontade, e sempre tive, de escrever sobre tudo isso. É uma forma que encontrei de vomitar algum conhecimento e ficar com a cabeça tranquila.

Os círculos sociais com os quais me envolvi obviamente tem relação direta com todas essas áreas, e muitos deles não convivem entre si. Isto significa que muitos dos meus amigos não sabem que eu programo, outros não sabem que jogo poker, outros não sabem que leio Goethe(talvez alguns deles nem saibam quem foi esse cara). Eu sou isso. E quero continuar sendo.

Não teria tempo de fazer um blog sobre cada assunto. Este é um blog pessoal que descreve as áreas do meu interesse. Não quero nem tratar os assuntos de forma separada, pois quem sabe um dia eu queira escrever sobre a ‘sociologia do poker’ ou sobre ‘música e tecnologia’.

Agradeço por não ser um só. O empresário é o bitolado pelo dinheiro, o político pelas causas do estado, o da informática por software livre. Quero ser um pouco de cada – fugir dos extremos e buscar uma plenitude maior do conhecimento, mesmo que tenha de abdicar de ser um especialista em qualquer das áreas.

Se fechar numa área de conhecimento não é da minha natureza e eu nem gostaria que fosse. Prefiro ser essa metamorfose ambulante.

Escrito por Rodrigo Seiji

28 \28\UTC junho , 2009 em 16\0407

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se não fizer a lição, não come sobremesa

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sala-de-aula

Depois de uma tarde meio chuvosa e triste ontem tive uma prova de Matemática Financeira que curso na Universidade Federal do Paraná. Quando entrei na sala (cheguei até um pouco adiantado) para a minha não-surpresa constatei o que vejo em todas as avaliações – os alunos estavam completamente aglomerados ao fundo da sala, formando com as carteiras uma hipérbole imaginária que os distanciaria do professor. O professor não havia chegado e o reboliço e a falação eram tão altos que chegavam a me incomodar. Não sou dos mais entusiastas do barulho, para quem ainda não me conhece.

Logo que o professor entra na aula, óbvio, a falação cessa instantaneamente como se alguém tivesse morrido. Ele não reclamou da arrumação das carteiras, e nem se deu ao trabalho de comentar qualquer coisa. São características dele, que deu cerca de 60% das aulas programadas para o curso durante o semestre, as quais tinham duração de cerca de 30 minutos (quando o normal seria de 1h30). Talvez seja um dos professores mais relaxados com quem tive aula.

E vamos à prova. Decorreu conforme o programado – só por três vezes tentaram perguntar algo ao professor que foi agressivo e taxativo na resposta “Está tudo escrito na prova” da qual todos riam logo em seguida. Queria entender se estavam rindo do professor ou dos alunos que perguntavam (ou mesmo só da situação realmente cômica para não dizer trágica).

Este é o reflexo da educação atual. Numa simples descrição sobre como as pessoas se comportam em uma prova em sala de aula, eu parecia enxergar o abismo em que o diálogo caiu(se é que já existiu) mesmo numa aula de graduação de uma universidade federal. Os alunos tem medo do professor, que não faz questão nenhuma que eles não tenham, e pelo contrário – reforça drasticamente a posição de autoritarismo na sala de aula sempre que pode. Continuamos a ver a posição de “pai” do professor perante o aluno, e isso não muda em quase nenhuma das matérias, pelo menos do meu curso.

Um pouco antes dessa prova tive uma aula com outro professor que quis se vingar dos alunos porque eles reclamaram à coordenação que ele tinha atrasado a entrega das notas de uma prova. Fazia questão de dizer que a prova estaria difícil numa forma de vingança que não entendi muito bem. Para estes professores parece ser sinal de virilidade reprovar grande parte da turma, quando para mim parece ser um atestado de incompetência.

Para onde está encaminhando a educação universitária? Ouvi dizer que a partir de 2000 e quebrados será exigido um curso de pedagogia à todos os professores de todas as áreas. Wtf?!! Isso não existia?

Para ser professor é necessário muito mais do que conhecimento, e atrevo-me a dizer que o conhecimento de fato é o menos importante. Acho que enquanto não mudarmos a estrutura e o modelo da aula este diálogo que tanto buscamos não vai acontecer. Hoje o professor fica num tablado superior falando à todos os alunos, como um messias divulgando sua palavra ou como uma banda de rock com todos os seus seguidores a lhe escutar. Porque não transformamos professor em aluno e aluno em professor, e deixamos de taxar coisas como quem sabe mais ou menos?! É dessa igualdade que quero falar.

Bem vindos ao meu blog crianças.

Sobre Educação:

Palestra de Luli Radfahrer
http://videolog.uol.com.br/video.php?id=389425

Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire

Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire

Escrito por Rodrigo Seiji

26 \26\UTC junho , 2009 em 20\0813

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